Radiofrequência pulsada no joelho: para quem é indicada?
A dor crônica no joelho, principalmente quando causada pela artrose, pode atrapalhar tarefas simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas ou dormir bem. Quando os tratamentos iniciais não trazem alívio suficiente, uma das opções que pode ser discutida com o ortopedista é a radiofrequência pulsada no joelho.
Neste artigo, explicamos o que é esse procedimento, para quem ele costuma ser considerado, o que os estudos científicos mostram até agora e, também, quais são os seus limites.

O que é a radiofrequência pulsada?
A radiofrequência pulsada é um procedimento minimamente invasivo. Uma agulha especial é posicionada, com auxílio de ultrassom ou radioscopia, perto dos pequenos nervos que levam a sensação de dor do joelho até o cérebro. Os principais alvos são os nervos geniculares e, em alguns casos, o nervo safeno.
Por essa agulha, um aparelho emite pulsos curtos de energia, intercalados com pausas. Na radiofrequência convencional (também chamada de ablativa), o calor é alto o bastante para interromper o nervo. Na modalidade pulsada, a temperatura fica baixa, em geral até cerca de 42 °C. A proposta é modular a forma como o nervo transmite o sinal de dor, sem destruí-lo.
Para quem a radiofrequência pulsada pode ser indicada?
De forma geral, o procedimento é considerado para pessoas com dor no joelho que dura mais de três meses e que não melhoraram o suficiente com o tratamento inicial. Os cenários mais comuns são:
Artrose do joelho com dor persistente
É a situação mais estudada. Costuma ser pensada para quem já fez fisioterapia, fortalecimento muscular, ajustes de atividade e uso de medicamentos orientados pelo médico, mas ainda convive com uma dor que limita a rotina.
Quem não pode ou não deseja operar neste momento
Algumas pessoas têm condições de saúde que aumentam o risco de uma cirurgia, enquanto outras preferem adiar a decisão sobre a prótese. Nesses casos, opções menos invasivas podem ajudar no controle da dor, sempre junto com a reabilitação.
Quando a dor impede a reabilitação
Muitas vezes a dor é justamente o que impede o paciente de fazer os exercícios de que precisa. Por isso, a radiofrequência pulsada costuma ser vista como uma ferramenta para facilitar o fortalecimento e a retomada das atividades, e não como substituta deles. Essa é a lógica de programas estruturados de reabilitação, como o Programa PACE.
O que dizem os estudos
A radiofrequência aplicada aos nervos do joelho vem sendo estudada há mais de uma década. Alguns pontos importantes da literatura científica:
- Uma revisão sistemática publicada em 2022 concluiu que existe evidência de qualidade moderada de que a radiofrequência dos nervos geniculares reduz a dor da artrose por pelo menos seis meses. Vale destacar que a maior parte desses estudos usou a técnica convencional, e não a pulsada.
- Um estudo duplo-cego realizado no Japão, com 70 pacientes, comparou a radiofrequência pulsada do nervo safeno com um procedimento simulado (placebo). Após 12 semanas, a dor média foi menor no grupo tratado, sem eventos adversos registrados. Outros desfechos avaliados, porém, não mostraram diferença entre os grupos.
- Um ensaio clínico espanhol com 188 pacientes comparou as duas modalidades nos nervos geniculares. A radiofrequência convencional teve efeito maior e mais duradouro do que a pulsada. O mesmo estudo observou que o resultado tende a ser menor em artrose muito avançada, em quem tem dor inicial muito intensa e em pessoas com depressão, ansiedade ou diabetes.
- Uma meta-análise em rede com 21 ensaios clínicos e mais de 1.800 pacientes indicou que a radiofrequência, em suas diferentes modalidades, pode melhorar dor e função no curto prazo, com diferenças de resultado entre as técnicas.
Em resumo, os resultados são promissores, mas ainda há estudos pequenos, técnicas variadas e acompanhamento relativamente curto. A resposta varia de pessoa para pessoa, e não é possível garantir resultado. Por isso, a escolha entre radiofrequência pulsada, convencional ou outra abordagem deve ser feita de forma individual.
Como é feito o procedimento
O procedimento costuma ser feito em ambiente ambulatorial, com anestesia local e orientação por imagem. Em alguns casos, o médico pode propor antes um bloqueio anestésico dos nervos do joelho, para avaliar se esses nervos estão de fato envolvidos na dor.
Na maioria das vezes, o paciente volta para casa no mesmo dia e retoma atividades leves em pouco tempo, conforme orientação médica. Os efeitos adversos relatados nos estudos costumam ser leves e passageiros, como desconforto ou hematoma no local da agulha e alteração temporária de sensibilidade na pele.
O que a radiofrequência pulsada não faz
É importante ter expectativas realistas. A radiofrequência pulsada não regenera a cartilagem, não corrige desalinhamentos e não trata problemas mecânicos, como um menisco que trava o joelho ou uma instabilidade ligamentar. O efeito sobre a dor também pode diminuir com o tempo. Por isso, ela não substitui o fortalecimento muscular, o controle de peso e o acompanhamento com o especialista.
Quando procurar um especialista
Vale agendar uma avaliação com um ortopedista especialista em joelho se você:
- Tem dor no joelho há mais de três meses, mesmo após tratamento inicial.
- Sente que a dor atrapalha o sono, a caminhada, o trabalho ou a prática de atividade física.
- Precisa usar anti-inflamatórios ou analgésicos com frequência para conseguir manter a rotina.
- Recebeu indicação de cirurgia e quer entender todas as alternativas disponíveis para o seu caso.
Procure atendimento com mais rapidez se o joelho ficar quente, vermelho e inchado (principalmente com febre), se travar ou falsear, ou se você não conseguir apoiar o peso do corpo após uma queda ou torção.
Quer saber mais sobre como esse tratamento é realizado? Conheça a página Infiltrações e Radiofrequência Pulsada.
Se você convive com dor no joelho e quer entender se a radiofrequência pulsada faz sentido no seu caso, agende uma avaliação pelo WhatsApp. Atendimento em Fortaleza e São Paulo.
Referências
- Fogarty AE, et al. The Effectiveness of Fluoroscopically Guided Genicular Nerve Radiofrequency Ablation for the Treatment of Chronic Knee Pain Due to Osteoarthritis: A Systematic Review. Am J Phys Med Rehabil. 2022;101(5):482-492. doi:10.1097/PHM.0000000000001813
- Uematsu H, et al. A Double-Blind, Placebo-Controlled Study of Ultrasound-Guided Pulsed Radiofrequency Treatment of the Saphenous Nerve for Refractory Osteoarthritis-Associated Knee Pain. Pain Physician. 2021;24(6):E761-E769. PMID 34554694
- Santana-Pineda MM, et al. A Randomized Controlled Trial to Compare Analgesia and Functional Improvement After Continuous Neuroablative and Pulsed Neuromodulative Radiofrequency Treatment of the Genicular Nerves in Patients with Knee Osteoarthritis up to One Year After the Intervention. Pain Med. 2021;22(3):637-652. doi:10.1093/pm/pnaa309
- Wu L, et al. Radiofrequency Ablation in Cooled Monopolar or Conventional Bipolar Modality Yields More Beneficial Short-Term Clinical Outcomes Versus Other Treatments for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Network Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Arthroscopy. 2022;38(7):2287-2302. doi:10.1016/j.arthro.2022.01.048
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Dr. João Paulo Cortez, ortopedista especialista em joelho. CRM/SP 165876 | CRM/CE 25432 | RQE 14011.