Plasma rico em plaquetas (PRP) no joelho: como funciona e quando é indicado
O plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP, é um tratamento feito a partir do próprio sangue do paciente. Uma pequena amostra é coletada, processada para concentrar as plaquetas e depois aplicada no local a ser tratado, como a articulação do joelho ou um tendão.
Nos últimos anos o PRP ganhou espaço na ortopedia, especialmente no tratamento da artrose do joelho e de algumas lesões de tendão. Neste artigo explico como o procedimento funciona, para quem ele pode ser indicado, o que dizem os estudos e quais cuidados fazem parte do tratamento.
O que são as plaquetas e por que concentrá-las
O plasma é a parte líquida do sangue. Nele estão as plaquetas, pequenos fragmentos de células cuja função mais conhecida é a coagulação. Além disso, as plaquetas liberam fatores de crescimento e outras proteínas que participam do reparo dos tecidos e da modulação da inflamação.
A proposta do PRP é levar ao local tratado uma concentração de plaquetas maior do que a encontrada no sangue, com o objetivo de controlar a dor e favorecer um ambiente mais adequado para a recuperação.
Como é feito o procedimento
- Coleta: retira-se uma amostra de sangue do paciente, de forma semelhante a um exame de rotina.
- Processamento: o sangue é centrifugado para separar o plasma rico em plaquetas dos demais componentes. O processo leva poucos minutos.
- Aplicação: com anestesia local e guiado por ultrassom, o PRP é aplicado com precisão no ponto a ser tratado.
O procedimento é ambulatorial, e o paciente volta para casa no mesmo dia.
Para quem o PRP pode ser indicado
Artrose do joelho
É a indicação mais estudada. Revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados mostraram melhora de dor e função com o PRP em comparação ao ácido hialurônico, principalmente em seguimentos de 6 a 12 meses (1, 2). Por outro lado, um ensaio clínico rigoroso publicado no JAMA não encontrou diferença entre o PRP e uma injeção placebo em pacientes com artrose leve a moderada (3).
Na prática, isso significa que o PRP pode ser uma boa opção para alguns pacientes, mas não é uma resposta única para todos. A indicação considera o estágio da artrose do joelho, os sintomas, os tratamentos já realizados e os objetivos de cada pessoa. As diretrizes internacionais reforçam que exercício orientado e controle de peso são a base do tratamento (4), e é assim que aplicamos as infiltrações: dentro de um plano completo, como o Programa PACE.
Lesões de tendão
O PRP também é estudado nas tendinopatias crônicas, como a tendinopatia patelar, comum em atletas de esportes com salto e em corredores. Em um ensaio randomizado, a associação do PRP a exercícios excêntricos acelerou a melhora nas primeiras semanas, embora a diferença em relação ao grupo controle tenha diminuído com o tempo (5). Mais uma vez, o exercício é parte essencial do tratamento.
Quais são os riscos
Por usar o sangue do próprio paciente, o PRP não provoca reação de rejeição. Como em qualquer procedimento com agulha, existem riscos, ainda que pouco frequentes, como dor local transitória, inchaço e, raramente, infecção. Por isso a aplicação é feita com técnica estéril e em ambiente adequado.
Alguns medicamentos, como os anti-inflamatórios, podem interferir na ação das plaquetas. As orientações sobre o que suspender e por quanto tempo são individualizadas e entregues por escrito antes do procedimento.
Como é a recuperação
Nos primeiros dias é comum algum desconforto no local, que costuma melhorar progressivamente. Compressas frias podem ajudar. Na primeira semana, recomenda-se manter apenas as atividades da rotina diária e evitar esforços intensos com a região tratada.
A partir da segunda semana, as atividades são retomadas de forma gradual, com acompanhamento de fisioterapia e um programa de reabilitação individualizado. O número de aplicações varia conforme a doença e a sua gravidade, e é definido na avaliação.
PRP ou ácido hialurônico?
Não existe resposta única. Os dois têm papel no tratamento da artrose e, em alguns casos, podem ser combinados. A escolha depende do seu quadro e é discutida na consulta. Para conhecer as opções, veja a página de infiltrações e radiofrequência pulsada no joelho e o artigo Infiltração no joelho dói? Entenda como funciona e o que esperar.
Conclusão
O PRP é um recurso com resultados promissores em situações específicas, especialmente na artrose do joelho, mas a resposta varia de pessoa para pessoa e não é possível garantir resultado. Ele funciona melhor quando faz parte de um plano que inclui exercício orientado e acompanhamento próximo.
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Referências
- Han Y, Huang H, Pan J, et al. Meta-analysis Comparing Platelet-Rich Plasma vs Hyaluronic Acid Injection in Patients with Knee Osteoarthritis. Pain Medicine. 2019;20(7):1418-1429. doi:10.1093/pm/pnz011
- Belk JW, Kraeutler MJ, Houck DA, et al. Platelet-Rich Plasma Versus Hyaluronic Acid for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. American Journal of Sports Medicine. 2021;49(1):249-260. doi:10.1177/0363546520909397
- Bennell KL, Paterson KL, Metcalf BR, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(20):2021-2030. doi:10.1001/jama.2021.19415
- Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. doi:10.1016/j.joca.2019.06.011
- Dragoo JL, Wasterlain AS, Braun HJ, Nead KT. Platelet-rich plasma as a treatment for patellar tendinopathy: a double-blind, randomized controlled trial. American Journal of Sports Medicine. 2014;42(3):610-618. doi:10.1177/0363546513518416
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento depende de avaliação individual. Dr. João Paulo Cortez, médico ortopedista e traumatologista. CRM/SP 165876 | CRM/CE 25432 | RQE 14011 (Ortopedia e Traumatologia).