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mulher atleta e lesões no esporte

Mulher Atleta – Por Que Lesionam Mais?

A mulher atleta tem, no mínimo, o dobro de chances de sofrer lesões sérias nos joelhos em comparação aos homens. Infelizmente, essa afirmação pode ser vista em diversos times femininos de diferentes esportes. Nos Estados Unidos, uma atleta apresenta lesões no joelho a cada 1.000 exibições esportivas, que incluem competições ou treinos de rotina.

As lesões podem ocorrer de diversas formas. Por exemplo, o impacto de uma queda pode fraturar um osso, enquanto um salto mal calculado pode romper um ligamento. Um tecido frequentemente lesionado é o Ligamento Cruzado Anterior (LCA), que representa cerca de 20% de todas as lesões femininas no esporte.

Por que isso acontece?

Para entender porque o LCA é a principal causa de lesões na mulher atleta, precisamos entender sua estrutura. O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é uma faixa de tecido conjuntivo elástico que age como um conector entre o fêmur (osso da coxa) e a tíbia (osso da perna). Com aproximadamente o tamanho do dedo mínimo de uma pessoa adulta, uma das suas principais funções é estabilizar o joelho. O ligamento também fornece suporte para o joelho enquanto estabiliza seus movimentos rotacionais.

A palavra cruzado faz referência a configuração tanto do Ligamento Cruzado Anterior como do Ligamento Cruzado Posterior. Os dois ligamentos cruzam o joelho, formando um X, de onde vem o nome.

Os cenários que levam a lesões do LCA são variados, mas muitos acreditam que a maioria das lesões do LCA não ocorre como resultado de colisões diretas, mas após a aterrissagem de um salto.

A Anatomia Feminina

O motivo pelos quais o LCA é mais facilmente rompido em mulheres ainda é objeto de vários estudos científicos, especialistas em medicina esportiva apontam que este fato ocorra principalmente em decorrência de diferenças anatômicas entre as mulheres e os homens.

Por exemplo, há uma pequena fenda na parte inferior do fêmur, por onde passa o ligamento cruzado anterior que costuma ser menor em mulheres. Por isso,  durante os movimentos, essa fenda mais estreita pode desgastar ou enfraquecer o LCA.

Além disso, a pelve feminina é mais larga, por isso, devido ao tamanho extra, o fêmur forma um ângulo interno com a tíbia, aumentando a pressão nos joelhos quando o pé está plantado no chão. Esta constante pressão do joelho “apontando” para dentro coloca um estresse excessivo no LCA, potencializando seu desgaste.

Estudos da Universidade de Michigan mostraram que atletas do sexo feminino têm menos força nos músculos das pernas e tempos de reação muscular mais lentos do que os homens, o que aumentaria o risco de trauma do Ligamento Cruzado Anterior. Segundo esta pesquisa, cientistas da fundação de Educação e Pesquisa em Medicina Esportiva de Cincinnati, juntamente do Hospital Deaconess em Ohio, detectaram um desequilíbrio significativo entre a força dos músculos isquiotibiais e quadríceps em atletas do sexo feminino, o que aumentaria o risco de lesões nos joelhos.

Os Hormônios

Os hormônios sexuais têm efeitos em diversos órgãos. Responsáveis pela puberdade, são os responsáveis por tornar homens e mulheres capazes de reproduzir. Nas mulheres, os hormônios estrogênio, progesterona e relaxina iniciam os processos da menarca e da menopausa, agindo de maneira cíclica.

Ainda não há, entretanto, um consenso sobre como estes hormônios desempenham um papel no aumento da incidência de lesões do LCA em atletas do sexo feminino. Para isso, é necessário entender as atividades hormonais durante o ciclo menstrual comum e quais seus efeitos no corpo. Uma pesquisa, de Wojtys e colaboradores, observou 69 mulheres com lesões agudas do ligamento cruzado anterior, em quatro hospitais diferentes, e relatou um número muito maior de lesões em mulheres no meio do ciclo (na fase ovulatória) (Wojtys et al., 2002). Além disso, as lesões que aconteceram neste momento foram muito mais intensas que as que ocorreram fora do período fértil (Y et al., 2000).

Outras lesões na mulher atleta

As mulheres atletas também são cerca de 20% mais susctíveis a desenvolver a Síndrome Patelo-Femoral do que atletas do sexo masculino. Esta síndrome causa sintomas que incluem estalo e dor no joelho em situações específicas, como ao descer e subir escadas, agachar ou correr. Alguns fatores podem desencadear essa síndrome, como a falta de alongamento e fortalecimento da musculatura do quadril e da coxa, o que causa uma sobrecarga das articulações.

As chamadas fraturas por estresse também acometem mais as mulheres do que os homens, em uma taxa de incidência até 3 vezes maior, com prevalência maior em mulheres que não menstruam mais. Os ossos mais comuns para este tipo de fratura são o fêmur, o metatarso, a pelve e a tíbia. Felizmente, este tipo de lesão geralmente são tratadas com repouso e imobilização por algumas semanas, não precisando de cirurgias.

Como Resolver o problema da mulher atleta?

Pesquisadores de Cincinnati desenvolveram um programa de pliometria (Pliometria é uma forma de exercício que busca a máxima utilização dos músculos em movimentos rápidos e de explosão), alongamento e treinamento de força para atletas do sexo feminino que melhora a estabilidade e distribuição de peso nos joelhos durante a aterrissagem de um salto. Estes exercícios elevaram a força e potência dos músculos isquiotibiais, elevou a relação de potência máxima dos isquiotibiais/ quadríceps e aumentou a força dos isquiotibiais durante os movimentos laterais e mediais do joelho.

Há muito se entende que a falta de controle muscular contribui para a ruptura do LCA. Por isso, o fortalecimento muscular é de extrema importância quando falamos da prevenção de lesões, especialmente os músculos do “core”. O “core” ou núcleo pode ser definido como a junção da musculatura abdominal e do quadril, onde o centro de gravidade de uma pessoa está localizado (Richardson et al., 1990). Um núcleo eficiente garante que todo o corpo tenha uma sustentação estável para que as pernas possam funcionar de maneira adequada, sem necessitar de muito mais força.

Por isso, a mulher atleta deve buscar incluir em suas rotinas de treinamento exercícios voltados para o fortalecimento dos músculos do núcleo, como abdominais e pranchas. Estes exercícios devem ser realizados de maneira regular, juntamente com o treinamento normal voltado para a prática esportiva. A fisioterapia é uma importante aliada nas prevenções de lesões no joelho. Converse com o ortopedista especialista em joelho e seu treinador para, juntos, avaliarem qual a melhor estratégia a ser utilizada, e assim evitar lesões na prática do seu esporte preferido.

Se você necessita de orientação sobre a mulher atleta e lesões no esporte, entre em contato com nossa equipe e faça o agendamento de consulta. Ficamos à disposição para atendê-lo.

Referências Bibliográficas

Ireland, M. L., & Ott, S. M. (2001). Special concerns of the female athlete. In: Fu F.H., Stone A., editors. Sports Injuries: Mechanism, Prevention, and Treatment., (2), 215-264.

Richardson, C., Toppenberg, R., & Jull, R. (1990). An initial evaluation of eight abdominal exercises for their ability to provide stabilization for the lumber spine. Aust J Physiother., 6-11.